Escola mais moderna de Lisboa não tem potência elétrica para aquecer refeições

A Escola Básica Maria Barroso é a mais moderna de Lisboa, no entanto, os alunos veem-se obrigados a fazer as refeições com pratos, copos e talheres de plástico, uma vez que o estabelecimento de ensino não tem potência elétrica suficiente para que lá sejam confecionadas refeições.

Desde o início do ano letivo, na Escola Básica Maria Barroso, recém-inaugurada, terão sido gastos 432 quilos de plástico desnecessariamente, de acordo com a associação de pais.

Todos os dias, a comida “sai da empresa, é aquecida na Escola das Gaivotas e só depois transferida para a nossa escola”, denuncia Rita Gouveia, que faz parte da direção da associação de pais.

O problema verifica-se porque, segundo o Público, o estabelecimento de ensino não tem potência suficiente para aquecer a comida das 120 crianças que frequentam aquela escola desde o início do ano.

A cozinha está equipada e os funcionários prontos para cozinhar, mas enquanto a potência elétrica não for restaurada, não é possível confecionar naquele espaço uma refeição, nem tampouco lavar a loiça.

Inicialmente, os pais foram informados de que esta não passaria de uma situação pontual, “que demoraria um mês ou um mês e meio a resolver-se”, explica a presidente da associação de pais, Catarina Ramalho. No entanto, sabe-se agora que, antes do verão, a situação não será ultrapassada.

“O cabo de eletricidade que serve a escola é o mesmo que servia a obra”, explica o vereador da Educação da Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles. O posto de transformação daquela escola, que funciona no edifício do antigo Tribunal da Boa-Hora, no Chiado, “tem de ser alterado”, pelo que a obra deverá demorar pelos menos dois meses.

Pela sua localização, a construção tem de ser sujeita ainda a acompanhamento arqueológico, obrigatório naquela zona da cidade, mas a expectativa é a de que “até ao final do ano letivo os trabalhos estejam concluídos”.

A somar-se a este problema está a má alimentação que os alunos têm tido. “Os miúdos estão a comer muito mal. Um dia saí daqui com a minha filha às três e meia e, ainda não tínhamos chegado ao metro, ela correu para uma pastelaria e pediu uma empada, porque estava cheia de fome”, relata Rita Gouveia.

Estava previsto no início do ano que a Escola Básica Maria Barroso fosse ter um projeto de alimentação saudável, semelhante ao que então existia na Escola convento Desagravo. O objetivo era o de ensinar as crianças a ter uma alimentação cuidada, sem passar fome.

De acordo com os relatos dos pais, a escola até tem promovido algumas iniciativas de alimentação saudável, mas cumprir o plano revela-se impossível com a cozinha parada.

Entretanto, a câmara aprovou na semana passada a constituição de uma equipa especial que, entre outras coisas, tem como missão elaborar um Plano Municipal de Alimentação Escolar Saudável.

A falta de energia elétrica suficiente trouxe ainda outros problemas, nomeadamente no que toca aos aquecedores, que raramente são ligados, independentemente do frio que se faça sentir, descrevem Teresa Amaral e Luísa Sol, também dirigentes da associação de pais.

Fonte : ZAP