FENPROF quer explicações sobre curriculos e perfil do aluno


A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) vai pedir explicações ao ministro da Educação sobre a aplicação dos currículos no próximo ano letivo e o perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória, em reunião agendada para quarta-feira.

“Precisamos de saber o que se vai passar com os currículos, se vamos ter flexibilização curricular, o que é isso, como é que vai ser essa coisa dos 25% dos currículos que algumas escolas em experiência piloto (poderão gerir) e quais são”, afirmou o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, em conferência de imprensa, em Lisboa.

Na reunião, agendada no âmbito das reuniões regulares acordadas com o Ministério da Educação, a federação sindical questionará também para que servirá o documento elaborado por um grupo de trabalho, a pedido da tutela, para definir as competências que os alunos devem apresentar no final da escolaridade obrigatória.

“É bom que aquele documento não sirva apenas para nos entretermos em discussões e que tenha consequências”, declarou.

No encontro com a equipa de Tiago Brandão Rodrigues, a estrutura sindical pretende obter “um compromisso global” por escrito sobre matérias que tem reivindicado, como o descongelamento das carreiras a 01 de janeiro, a redução dos horários de trabalho e um regime especial de aposentação para os professores, ao fim de 36 anos de serviço, sem penalizações.

No documento, segundo o dirigente sindical, deverão constar também questões relacionadas com a descentralização de competências para os municípios, por forma a assegurar a autonomia das escolas e uma gestão mais participada pela comunidade educativa.

O objetivo é fazer o ministério comprometer-se com a resolução destes problemas, de forma faseada e programada, até ao final da legislatura, entre eles a vinculação de mais professores ao Estado.

“Aquilo que o ministro do Trabalho há dias anunciou foi um ‘bluff’, não há professores que começassem a trabalhar aos 12 anos (…), portanto ninguém tem, aos 60 anos, 40 anos de serviço. Aquilo não serve para rigorosamente nada”, disse Mário Nogueira, referindo-se às declarações do Vieira da Silva sobre um novo regime de reformas antecipadas para trabalhadores com carreiras mais longas.

Para dar visibilidade às reivindicações dos professores, a FENPROF está a recolher assinaturas para um postal a entregar no Ministério da Educação por docentes de todo o país, numa iniciativa nacional que culminará com uma manifestação agendada para 18 de abril e que a estrutura sindical admite suspender se houver um compromisso por parte do governo.

Em aberto está igualmente a possibilidade de uma greve no 3.º período letivo, caso não haja avanço nas negociações que a estrutura sindical pretende desencadear.

A FENPROF está a realizar plenários nas escolas e recolher fotografias e frases dos professores com os problemas que os atingem para divulgação em cartazes e locais de afixação na via pública, sob o lema “Professores dão a cara pela sua Profissão”.

Fonte : Notícias ao Minuto