Petição apela ao fim das mochilas pesadas na escola

Pelo bem das crianças, menos peso nas mochilas: o lema foi lançado há uns dias e já soma milhares de assinaturas.

Uma petição subscrita por mais de 8.000 pessoas, entre elas especialistas em ortopedia, defende medidas urgentes para reduzir o peso das mochilas dos alunos e pede a intervenção da Assembleia da República para legislar sobre a matéria.

Treze anos depois de um estudo da associação de defesa dos consumidores DECO ter identificado que mais de metade das crianças dos 5.º e 6.º anos de escolaridade transporta peso a mais nas mochilas escolares, os signatários desta petição pedem urgência na resolução do problema.

Entre os signatários estão o ator e encenador José Wallenstein (o primeiro), vários médicos fisiatras, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e a Confederação Nacional das Associações de Pais.

Os autores pedem urgência na resolução do problema e propõem, entre outras medidas, que se legisle no sentido de definir que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, tal como sugerido por associações europeias e americanas.

Na petição defende-se a obrigatoriedade de as escolas pesarem as mochilas das crianças semanalmente, de forma a avaliarem “se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”.

“Para tal, cada sala de aula deverá contemplar uma balança digital, algo que já é comum em muitas escolas, devendo ser vistoriada anualmente”, acrescentam os signatários.

Em declarações à agência Lusa, o primeiro signatário da petição, lançada há três dias, explicou que, para já, o objetivo é somar o maior número de assinaturas possível. ”Pretendemos recolher o maior número possível de assinaturas. Ainda estamos nessa fase, esperamos recolher 20.000 para se poder não só discutir mas criar legislação eficaz”, afirmou José Wallenstein, para quem mobilizar a sociedade civil é essencial.

A existência de cacifos em todas as escolas públicas e privadas para que os alunos possam deixar alguns livros e cadernos, evitando transportar tanto peso nas mochilas, e a utilização por parte das editoras de papel de menor gramagem na elaboração dos manuais são algumas das propostas apresentadas pelos signatários da petição.

A petição sugere ainda que as editoras possam criar livros escolares divididos em fascículos destacáveis (um para cada período letivo) e que os conteúdos dos manuais sejam o mais concisos e sintéticos possível.

“As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”, sublinham os signatários.

No trabalho que serviu de base à petição, elaborado há 13 anos, a Deco concluiu que 53% das crianças abrangidas transportavam mochilas com uma carga acima do recomendável pela Organização Mundial de Saúde, isto é, superior a 10% do seu próprio peso. A pior das situações foi verificada numa criança de 11 anos que, com 32 kg, transportava uma mochila que pesava 10 quilos.

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