Diretores alertam para ajuda a escolas sem créditos horários

20150824_13A associação dos diretores escolares chamou hoje a atenção para os muitos estabelecimentos de ensino que não receberam créditos horários mas também precisam de ser apoiados, sob pena de se criar um “fosso ainda maior” entre as escolas.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) anunciou este fim-de-semana a atribuição de créditos a 274 escolas, por terem conseguido superar metas relacionadas com o abandono escolar ou atingir determinados indicadores de eficácia, tais como os resultados nos exames nacionais.

Este ano, cerca de um terço das escolas portuguesas são premiadas, o que preocupa a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), já que existem muitos outros estabelecimentos frequentados por alunos que precisam de ter um apoio extra.

“O ministério não se pode esquecer que há muitas escolas em contextos socioeconómicos difíceis que não conseguiram atingir os patamares, mas que se esforçam e que, atendendo ao trabalho que realizam, devem ser apoiadas. Não estou a dizer que devem ser premiadas, mas sim apoiadas pelo ministério, sob pena de se aumentar ainda mais o fosso entre as escolas”, alertou o vice-presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

Os diretores das escolas estão de acordo com este projeto de atribuição de crédito às escolas — “globalmente, esta medida é muito positiva” — mas gostariam de ter conhecimento deste prémio mais cedo.

“Temos uma crítica levezinha a fazer quanto ao ‘timing’ do ministério para dar a conhecer às escolas os créditos horários. Foi apenas a 18 de agosto, quando já tínhamos feito as turmas e contratado os professores. Mas claro que o aceitamos de braços abertos, porque, na prática, isto significa mais professores nas escolas”, disse à Lusa Filinto Lima.

Outro dos “constrangimentos do modelo de atribuição de créditos horários” prende-se com o facto de os créditos terem a duração de apenas um ano letivo, impossibilitando a implementação de projetos plurianuais, lembrou Filinto Lima.

Também a Federação Nacional de Professores (Fenprof) criticou hoje o facto de os créditos terem a duração de apenas um ano letivo e de ficarem de fora muitas escolas que não atingem as metas, acusando o MEC de levar a cabo “uma prática discriminatória e injusta”.

Fonte : Lusa