Menos vagas no Ensino Superior – veja quais são e onde estão

20150719_02A corrida para o acesso ao Ensino Superior arranca esta segunda-feira e prolonga-se até 7 de agosto. Há 50.555 vagas a concurso. Veja quais são, onde estão e quais as notas mínimas de entrada.

São 50.555 vagas e estão distribuídas por 1.048 cursos em 33 instituições de ensino superior públicas diferentes. É este o panorama geral do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior, cuja primeira fase arranca já amanhã, dia 20 de julho. O maior número de vagas está distribuído pelos cursos de Engenharia, Ciências Empresariais e Saúde.

Em termos de geografia, os distritos de Lisboa, Porto e Coimbra lideram a oferta no Ensino Superior. Das 51.171 vagas (as 50.555 do concurso nacional de acesso, mais as 616 vagas dos concursos locais), 15.025 estão espalhadas pelo distrito de Lisboa, 7.600 pelo do Porto e 5.496 por Coimbra. Por contraponto, é em Beja (506 vagas), Portalegre (511) e Madeira (585) que há menos vagaspara os alunos seguirem para o Ensino Superior.

De resto, e como pode consultar facilmente nos mapas mais abaixo (clicando em cada uma das bolinhas), é a Universidade de Lisboa que dispõe do maior número de vagas, como é tradição, num total de 7.651, seguida da Universidade do Porto (4.160) e em terceiro lugar a Universidade de Coimbra, com 3.189 vagas, muito próxima do Instituto Politécnico do Porto, com 3.026 vagas.

No extremo oposto surgem escolas superiores: a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique com apenas 173 vagas, as três escolas de enfermagem do país com 270, 300 e 320 vagas, no Porto, em Lisboa e em Coimbra, respetivamente. E ainda a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, com 430 vagas disponíveis. Em algumas destas a procura excede largamente a oferta e costumam ficar logo lotadas no final da primeira fase de candidaturas.

A Universidade do Algarve e o Politécnico de Viseu foram as instituições que reduziram mais vagas do ano passado para este (3,8% e 3,58% respetivamente). Já o Politécnico de Setúbal e a Universidade de Évora apresentaram as maiores subidas em termos de vagas: 3,68% (mais 42 vagas) e 1,59% (mais 17 vagas).

Este mapa é interativo. Clique nos círculos para ver o preço das propinas nas universidades e politécnicos portugueses.

Vagas caem há 4 anos, mas menos do que os candidatos

O número de vagas desce, assim, pelo quarto ano consecutivo. A quebra face a 2014 não é muito significativa (-0,52%) no conjunto das universidades e institutos politécnicos, mas se recuarmos a 2010, desde então até agora as instituições públicas cortaram 2.855 vagas, o equivalente a menos 5,3% da oferta. A redução foi sobretudo sentida nos institutos politécnicos que anularam, neste período, 2.562 vagas, ou seja, 10,3% do total que puseram a concurso em 2010 (24.875). Já as universidades reduziram apenas 1%, o equivalente a menos 293 vagas face a 2010.

Ainda assim, esta redução da oferta no Ensino Superior não está a acompanhar o ritmo de quebra dos candidatos. Entre 2010 e 2014, o número de estudantes que se propuseram à primeira fase de candidaturas ao ensino superior baixou mais de 18%, ou seja, em 2014 entraram no sistema, à primeira, menos 9.434 alunos do que quatro anos antes, num total de 42.408 estudantes.

Engenharia, Ciência Empresariais e Saúde dominam oferta

Descendo das instituições para os cursos, a maioria manteve o número de vagas, 103 cursos aumentaram a oferta e 87 reduziram-na. Os cursos que perderam, proporcionalmente, mais vagas foram Gestão (pós-laboral), no Politécnico de Bragança (-60%), Engenharia Civil, na Universidade de Aveiro (-42%) e Tecnologia e Gestão Ambiental, no Politécnico de Coimbra (-40%). E os que mais aumentaram, também proporcionalmente, a oferta foram Saúde Ambiental, no Politécnico de Lisboa (+81,8%), Biotecnologia, no Politécnico de Coimbra (+78%) e Jogos Digitais e Multimédia, em Leiria (+76%).

Olhando para as grandes áreas de estudo, as que mais reduziram vagas foram Proteção do Ambiente (-10,6%) e Indústrias Transformadoras (-8,9%), e aquelas em que o número de vagas mais subiu foram Serviços de Segurança (+50%) e Ciências da Vida (+5,2%).

Há, por outro lado, 61 cursos que vão abrir vagas no próximo ano letivo e que não abriram em 2014 e as razões podem ser porque são novos como, por exemplo, Reabilitação do Património, na Universidade de Aveiro, ou Ciências do Mar, na Universidade dos Açores, ou porque mudaram simplesmente de designação. Por exemplo, o curso de Jornalismo da Universidade de Coimbra desapareceu e agora existe Jornalismo e Comunicação.

Mas a grande aposta do Ensino Superior continua a ser nas áreas de Engenharia e Técnicas Afins (metalurgia e metalomecânica, eletricidade, eletrónica e automação) – com 9.037 vagas (17,7%) do total -, Ciências Empresariais (marketing, comércio, finanças, banca, gestão,…) – com 7.686 vagas (15% do total) e Saúde com 6.656 vagas (13%).

Medicina lidera médias mais altas. Mas é possível entrar com menos de 10 valores

Para além de querem saber se há muitas ou poucas vagas no curso que querem tirar, outra das grandes preocupações dos alunos nesta altura é saber se têm ou não média para entrar no curso que desejam. E agora já podem sabê-lo, consultando a lista com todas as vagas e médias de entrada está em anexo a este artigo e também está disponível no site da Direção-Geral do Ensino Superior. No top dos 10 cursos com médias mais altas, Medicina surge cinco vezes e o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto é mesmo o curso que exige a nota mais alta (18,27 valores). Aliás, nesta lista dos 10 cursos com notas de entrada mais altas há quatro da Universidade do Porto.

Medias-Altas

Mas há, por outro lado, 13 cursos em que é possível entrar para a faculdade sem ter sequer nota mínima de 10. Basta ter 9,5 valores ou mais, que arredondando chega aos 10. É o caso de Ciências do Desporto, na Universidade da Beira Interior, ou de Marketing no Politécnico da Guarda. Na tabela abaixo pode ver o top 10 dos cursos que exigem a média mais baixa.

Medias-Baixas

Até 7 de agosto os alunos que já concluíram o ensino secundário, com aprovação nos exames específicos, podem então candidatar-se a um lugar numa universidade ou politécnico. Os resultados só serão conhecidos a 7 de setembro. De lembrar que para aqueles que não puderem concorrer nesta fase ou que não conseguirem entrar, têm sempre outra hipótese. As vagas que sobrarem desta primeira fase, saltarão para as 2.ª e 3.ª fases de candidatura ao Ensino Superior.

Fonte : Observador