Ministério instado a investigar se existe inflação de notas

20150120_12O presidente do Conselho das Escolas, José Eduardo Lemos, disse hoje à Lusa que, se há escolas a inflacionar notas dos alunos, o Ministério da Educação “deve investigar, até para não criar estigma” nos estabelecimentos de ensino.

Questionado sobre a notícia divulgada hoje de que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) terá pedido à inspeção para averiguar se há escolas a inflacionar notas dos alunos, Eduardo Lemos afirmou que, se existem essas situações, “é muito bom que o faça”.

José Eduardo Lemos falava à margem do debate nacional “Municipalização: Que Caminho para a Escola”, que o Conselho das Escolas promoveu hoje, no Convento de S. Francisco, em Santarém, e que contou com a participação de cerca de 400 pessoas, entre representantes de sindicatos, associações, agrupamentos escolares, professores, técnicos municipais e autarcas.

Segundo uma análise realizada pelo jornal Público, hoje divulgada, há 24 escolas “que dão por sistema notas acima do que é esperado” e outras 29 que estão a fazer exatamente o contrário: dar notas abaixo do espectável.

O MEC considera que a informação do novo portal eletrónico, que compara as notas atribuídas pelas escolas, é importante para os estabelecimentos de ensino, que assim podem “refletir e eventualmente ajustar as suas práticas de avaliação”.

O ministério entende que “uma escola isolada, por si só, não consegue saber com exatidão se está a ser mais exigente ou menos exigente do que a generalidade das outras escolas do país, na avaliação do desempenho escolar dos seus alunos” e, na semana passada, lançou um portal eletrónico com indicadores que permitem fazer essas comparações.

Um dos representantes dos diretores escolares, Filinto Lima, acredita que, com esta informação, “as escolas vão poder analisar os resultados e ver se há algo que devem ou não corrigir”.

O vice presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas sublinha, no entanto, que “este é apenas mais um indicador para as escolas, e não se devem tirar conclusões precipitadas”.

Também o ministério considera que “a tarefa mais importante é passar essa informação às próprias escolas, para que possam refletir e eventualmente ajustar as suas práticas de avaliação”: “Uma escola e os seus professores não podem fazer ajustes se não conhecerem os dados precisos, tratados de forma cuidadosa. Até porque algumas escolas podem até não fazer ideia de como se comparam a nível nacional. O principal trabalho de reflexão será interno, das próprias escolas”.

As escolas, no entanto, poderão vir a contar no futuro com recomendações da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), que está a analisar os dados.

Segundo o MEC, a IGEC irá utilizar o conhecimento assim obtido em próximas intervenções inspetivas que vier a fazer, com “recomendações focadas no processo de avaliação interna dos alunos”.

Fonte : Lusa