Escola de Vialonga reclama obras prometidas há uma década

2016092608A Escola Básica dos 2º. e 3º. Ciclos (EB 2.3) de Vialonga é reconhecida como uma das que tem piores condições de funcionamento na região de Lisboa. Frequentada por mais de 1000 alunos com idades entre os 10 e os 18 anos, há mais de uma década que se fala na necessidade de requalificação e de ampliação de instalações que já remontam a 1988. Pais, encarregados de educação, alunos, professores e autarcas insistem na necessidade urgente de intervir nesta EB 2.3. Mas o projecto de reabilitação delineado pela empresa pública Parque Escolar na década passada nunca arrancou e o Ministério da Educação diz que a obra não é considerada prioritária.

Esta escola foi referida por Pedro Passos Coelho, ainda como líder da oposição, para criticar os “esbanjamentos” da Parque Escolar. A 4 de Abril de 2011 (então candidato a primeiro-ministro), enquanto visitava a Escola Secundária da vizinha vila do Forte da Casa, o líder do PSD citou o projecto de requalificação da EB 2.3 de Vialonga, considerando inaceitável que previsse um investimento de mais de 15 milhões de euros e contemplasse um auditório estimado entre os 5 e os 7 milhões de euros. “Com um décimo destes valores é possível transformar escolas antigas em escolas-modelo”, defendeu, então, Pedro Passos Coelho, preconizando projectos muito menos dispendiosos.

Certo é que alguns meses depois, o novo Governo liderado pelo PSD e pelo CDS-PP decidiu suspender todas as obras da Parque Escolar. A EB 2.3 de Vialonga sofreu, em 2012, problemas graves de infiltrações, com água da chuva a cair em algumas salas e a ameaçar instalações eléctricas. A Direcção-Geral dos Equipamentos Escolares e as autarquias locais fizeram, então, algumas obras de reparação das coberturas dos blocos escolares, que minimizaram o problema, mas a EB 2.3 de Vialonga continua sem condições para os mais de 1000 alunos que a frequentam.

O Ministério da Educação assume que a prioridade é a conclusão das obras da Parque Escolar que estavam por acabar e não arrisca previsões para a concretização da remodelação de fundo da EB 2.3 de Vialonga. “Reconhece-se que a necessidade de obras de fundo nesta escola não é de hoje, nem do passado recente, desconhecendo-se pelos quais as mesmas nunca foram efectuadas”, sustenta o gabinete do ministro Nuno Crato

Certo é que alunos, professores e funcionários vêem-se confrontados com problemas que vão da falta de salas (parte das turmas funcionam em contentores) às coberturas de fibrocimento (material que contém amianto) dos espaços exteriores, passando por redes eléctricas insuficientes e redes informáticas inexistentes. A EB 2.3 de Vialonga destaca-se por um projecto educativo que dá realce à música (possui uma orquestra juvenil), mas os alunos têm que percorrer centenas de metros a para utilizarem salas do Centro Comunitário de Vialonga. A escola também não tem instalações desportivas cobertas e os alunos têm que fazer outras centenas de metros a pé até ao pavilhão do Grupo Desportivo de Vialonga.

Alberto Mesquita, presidente da Câmara vila-franquense, assegurou que autarquia quer concluir em 2015 a substituição das telhas de fibrocimento nas escolas à sua responsabilidade (primárias e jardins-de-infância), mas sublinha que nas restantes essa competência é do Ministério da Educação.

Fonte : Público