Pais querem soluções para conciliar escola e trabalho

2016112915_1Portugal é um dos países com horários de trabalho mais longos.

“Para nós, só não é difícil conciliar a vida profissional com a escola das crianças porque temos uma ajuda extra: algumas vezes, os avós vão buscá-los”, conta Ana Branco, mãe do Afonso, 11 anos, e do Pedro, 7 anos. A gestora de projectos numa companhia de seguros defende que para facilitar a relação “trabalho dos pais-escola dos filhos” é preciso pôr um travão ao número de horas exigido no emprego.

Portugal é o quinto país da União Europeia a registar um número mais elevado de horas efectivamente trabalhadas por semana, de acordo com um estudo do Eurofound, com dados de 2013. No mercado de trabalho português, a média já atinge 40,3 horas semanais, acima da registada na Europa a 15, com 39,3 horas. A diferença atinge uma hora. No extremo oposto está França, onde os trabalhadores passam 37,4 horas por semana no emprego.


Para Roberto Carneiro, ex-ministro da Educação, os pais têm de ter tempo para os filhos e, sobretudo, “tempo de qualidade”, defendendo horários laborais mais ajustados.

“O ideal seria os pais irem buscar os filhos por volta das 17 horas para poderem fazer os trabalhos de casa acompanhados”, acrescenta Ana Branco. Para esta família, o fundamental para melhorar a conciliação entre vida profissional e familiar está do lado do mercado de trabalho. Ainda assim, há ajustamentos na organização das escolas que dariam uma ajuda: por exemplo, alargar o ano lectivo e diluir os três meses de férias de Verão ao longo do ano.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais também diz que “o calendário escolar levanta alguns problemas para as famílias”.

20140920_conciliar_casa_trabalho2Jorge Ascensão entende que organizar o calendário em dois semestres, como defendem os directores das escolas, “é uma solução”. Mas para os pais, o ideal seria estender o período do ano lectivo até 31 de Julho. “Não se justifica um período de férias tão longo para as crianças, desde Junho. Devia ser ajustado à sociedade”, refere. Jorge Ascensão lembra que “só a Justiça e a Educação encerram no Verão”.

O alargamento do ano lectivo permitiria “períodos de avaliação e das actividades lectivas mais equilibrados e mais extensos” e até poderia “aumentar a rentabilidade pedagógica dos alunos”, indica ainda. A Confap defende que, além das festividades, o ano lectivo poderia ter “mais pausas”, o que não implicaria que os alunos ficassem em casa. “Durante o período de avaliações e de exames os alunos não deviam ter aulas mas as escolas deviam ter outras actividades como projectos de pesquisa, mais desporto, música, artes ou teatro. Seriam actividades que os alunos frequentariam depois de realizar os exames e que assegurariam a permanência dos alunos nas escolas”, continua, acrescentando que isto seria uma solução que “daria resposta a muitos dos problemas das famílias”.

 

Fonte : Económico

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