Professores com provas mal corrigidas ainda vão ter de esperar para saber novos resultados

Na sexta-feira, Iave disse que a correcção de erros de classificação nas provas de professores já tinha sido efectuada. E os professores ficaram à espera. Agora Iave esclarece que divulgação das notas só acontecerá no final do processo de reapreciação, que ainda decorre.

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Quando Rita André entra na plataforma da Direcção-Geral da Administração Escolar para ver a nota que teve na Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC), o valor que lá aparece continua a ser 2,5. Mas pelas suas contas, devia ser 70. Isto numa escala de 0 a 100. O Instituto de Avaliação Educacional (Iave) diz que as correcções dos erros de classificação detectados serão, a seu tempo, divulgadas.

Tal como o PÚBLICO noticiou na sexta-feira, Rita é uma das 19 docentes que viram a sua PACC ser avaliada à luz de critérios errados: fez a prova cujo enunciado tinha o código 1000 02 mas o teste foi corrigido como se fosse o exame 1000 01. A reclamação que encaminhou ao júri nacional da PACC foi divulgada na sexta-feira no blogue de Educação de Arlindo Ferreira.

Contactado então pelo PÚBLICO, o Iave fez de imediato saber que existiam 19 situações em que, tal como aconteceu no caso de Rita, havia sido “identificada uma troca da chave de resposta, o que representa 0,19% do total de provas classificadas e validadas”. O Iave garantiu ainda: “A verificação e correcção de situações como a descrita foram já efectuadas para todas as provas. Trata-se de um processo de rotina em operações desta natureza. Assim, alguns dos casos atrás referidos foram registados e já estão corrigidos, sem qualquer intervenção do candidato.”

Perante isto, Rita ficou à espera que na plataforma informática da qual constam os seus dados a correcção fosse feita. Mas não foi, até este domingo à tarde. “Não recebi nenhum email dos serviços. A minha nota não foi corrigida. E na lista de professores aprovados na PACC continua a não estar o meu nome”, diz esta docente de Matemática.

De novo contactado pelo PÚBLICO, o Iave esclareceu neste domingo por escrito que “todos os casos foram resolvidos, mas só após a conclusão do processo, e de acordo com o Guia da Prova, o Iave irá publicar os resultados das reapreciações”.

As regras mandam que os professores que se sintam prejudicados façam primeiro um pedido de consulta da prova, pelo qual pagam 15 euros. E que só depois solicitem a reapreciação (20 euros). Esta pode ser pedida “nos cinco dias úteis seguintes ao da recepção da reprodução da prova”, o que quer dizer que o prazo ainda decorre.

Para além da correcção da nota, Rita André quer que a lista que foi tornada pública com os nomes dos professores aprovados na PACC seja alterada. Diz que é a sua imagem pública enquanto professora competente que está em causa, se o seu nome não aparece lá. “Na escola onde tenho contrato até final de Agosto toda a gente sabe que fiz a prova.”

O Iave diz que tal será feito, uma vez mais, no final do processo.

A origem do erro terá estado na inscrição manuscrita, por parte dos professores que fizeram a prova, dos códigos da mesma. “A ocorrência do erro descrito é consequência de inconsistências no processo de digitalização das folhas de resposta decorrentes do reconhecimento automático da grafia dos próprios candidatos”, disse o Iave na sexta-feira.

A PACC destina-se a professores contratados com menos de cinco anos de serviço que queiram continuar a dar aulas. Foram validadas 10.200 provas. E 86% dos professores passaram.

Fonte : Público

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