Como evitar a obesidade infantil?

20140726_obesidade_infantil_0-300x167Hoje, a obesidade (o acúmulo excessivo de gordura no organismo), mata mais do que a desnutrição, como reporta o relatório Global Health Burden, ligado à Organização Mundial da Saúde. “Isso acontece por que nossos hábitos mudaram. Com a vida moderna, hoje comemos pior e nos mexemos menos”, disse Claudia Cozer, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de obesidade e transtorno alimentar do Hospital Sírio Libanês, em evento da Semana de combate à obesidade infantil, organizada pelo hospital.

As causas não são difíceis de identificar. Alimentos ricos em gordura e açúcar, mas pobre em nutrientes, como fast-food e doces, recheiam o cardápio dos pequenos. Além disso, o medo da violência mudou hábitos simples que contribuíam para a saúde, como brincar na rua ou ir a pé para a escola. Mais sedentárias e comendo pior, as crianças estão engordando. E cada vez mais. No Brasil, só na faixa dos 5 aos 9 anos, a obesidade cresceu 300% entre 1989 e 2009. 

Os especialistas dizem que a família tem papel fundamental na prevenção da obesidade, não só porque as crianças seguem os (maus) hábitos que têm em casa, mas também porque a intervenção é mais eficaz se feita nos primeiros dez anos de vida. “Quanto mais avançada a idade, mais difícil é mudar os hábitos”, diz Claudia. Os dados confirmam: 80% dos adolescentes obesos continuam obesos na vida adulta.

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Veja as principais respostas sobre obesidade infantil e leia dicas de como manter uma alimentação saudável na sua casa:

 1. Quais são os riscos da obesidade infantil?  A obesidade infantil prejudica a qualidade de vida da criança em diversos aspectos. Além de impactar negativamente a autoestima e a sociabilidade, o excesso de peso está relacionado a uma série de problemas de saúde, como hipertensão, colesterol alto, infarto, problemas no fígado, diabetes tipo 2 e até câncer. “As crianças obesas desenvolvem doenças que antigamente apareciam só depois dos 40 anos”, explica a endocrinologista Claudia Cozer. A obesidade está fortemente relacionada a doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no Brasil.

 2. O que causa a obesidade?  “O sedentarismo, o erro alimentar, o estresse do estilo de vida moderno são fatores fundamentais para o desenvolvimento dessa doença. Atualmente, a diminuição na quantidade e qualidade do sono, obesidade materna durante a gravidez e desnutrição na vida intrauterina são cada vez mais estudadas e levadas em conta nessa situação toda”, o pediatra e nutrólogo com especialização em obesidade infantil, Nataniel Viuniski.
A genética também pode influenciar na futura obesidade da criança. Filhos de pais obesos têm mais chance de também serem obesos. Porém, o ambiente e os hábitos da família é que determinam se a criança será ou não obesa. “Muitos pais usam a genética como desculpa. Mas mesmo com dois pais obesos, a criança pode ser criada em um ambiente com melhores hábitos alimentares, com estímulo a atividade física, e ter um peso saudável”, afirma a endocrinologista Claudia Cozer.
Ela alerta que as predisposições genéticas tendem a aparecer “pioradas” ao longo das gerações. “Se meu pai ficou hipertenso aos 45, posso ficar hipertensa aos 35”, exemplifica.
Se os fatores de risco forem controlados desde cedo, como obesidade e sedentarismo, a criança pode não desenvolver hipertensão, diabetes e outras doenças, mesmo que a genética propicie. “Apesar da genética, é possível intervir para que o quadro da criança não seja pior ou tão ruim quanto o dos pais”, alerta Claudia.

 3. Como saber se meu filho é obeso?  O diagnóstico de obesidade é feito por uma equipe de médicos, já que também vários fatores podem desencadear a obesidade. O primeiro passo, porém, é medir o IMC do seu filho, o Índice de Massa Corpórea, adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para calculá-lo, basta seguir a fórmula: peso (kg)/altura(m) x altura (m).
Por exemplo, se seu filho tem 1,30 m de altura e pesa 40 quilos. Então a conta será:
Altura x altura: 1,30×1,30= 1,69.
IMC: 40/1,69= 23,66
Consulte o resultado na classificação do IMC:
– Menor que 18,5 – Abaixo do peso
– Entre 18,5 e 24,9 – Peso normal
– Entre 25 e 29,9 – Sobrepeso (acima do peso desejado)
– Igual ou acima de 30 – Obesidade.

 4. Meu filho é obeso. O que fazer?  A primeira coisa a entender é que não há fórmula mágica. A expectativa de emagrecimento “milagroso” só causará ansiedade e frustração, tanto na criança quanto na família. A endocrinologista sugere o acrônimo AMOR. Acesso a alimentos saudáveis, M odelo dos pais, O rientação médica e nutricional, R estaurar o gasto energético.
Jamais faça dietas milagrosas nas crianças. “As crianças estão em fase de crescimento e dietas restritivas podem levar a um transtorno alimentar”, alerta a nutricionista Helen Lopes, nutricionista e especialista em Nutrição na Infância e Adolescência. Assim como a obesidade é uma doença crônica causada por diversos fatores, o tratamento também deve ser multidisciplinar. Pediatras, nutricionistas e psicólogos são os especialistas indicados para uma avaliação física, clínica e nutricional.

 5. Como melhorar a alimentação do meu filho?  A nutricionista Helen Lopes, especialista em Nutrição na Infância e Adolescência, explica os três pilares básicos de uma alimentação saudável. Tê-los em mente na hora de fazer compras no mercado e ao preparar as refeições ajuda a melhorar a qualidade da alimentação da sua família. São eles:
– Variedade: é importante comer diferentes tipos de alimentos pertencentes aos diversos grupos: carboidratos como pães, massas, arroz etc; legumes e verduras; frutas; proteínas (carnes e ovos); laticínios (leite e derivados); lipídios (óleos e gorduras) e açúcares] a qualidade dos alimentos tem de ser observada;
– Moderação: não se deve comer nem mais nem menos do que o organismo precisa; é importante estar atento à quantidade certa de alimento;
– Equilíbrio: quantidade e qualidade são importantes; o ideal é consumir alimentos variados, respeitando as quantidades de porções recomendadas para cada grupo de alimentos. Ou seja, comer de tudo um pouco.

 

Fonte : Educar para Crescer